PARTE II - BUSCA DA FELICIDADE

SAISON : SUMMER / YEAR : 2022 / PHOTOS & VIDEO : @Adgency_mediagroup 

CAPÍTULO 1 - SEM LIMITES

As sirenes da polícia gritam, e o tráfego intenso da rodovia A9 impede que os seiscentos cavalos presos no estábulo se expressem livremente. O tenente da gendarmaria atrás vibra, seu sorriso no retrovisor me arrepia, seu olhar malicioso me faz pensar em um membro do KKK contemplando a cruz. Eu odeio os policiais, a forma como se colocam acima para esquecer que, no fundo, são apenas pobres seres humanos escravizados com um diploma médio e um quociente intelectual duvidoso. É a primeira vez dele também. Carro novo, nova designação, ele está como um galo no papo ao volante de sua Mégane novinha. Ele não consegue acompanhar, eu sou a águia da estrada, a RS6 grita, bato freneticamente nos faróis altos enquanto a estrada vai se abrindo pouco a pouco. Ele se agarra, o danado, como se sua vida dependesse disso, mas não é suficiente. Ao longe, um caminhão se prepara para ultrapassar. A pequena janela, entre a barreira de segurança e o monstro de 16 toneladas, não ficará aberta por muito tempo. Acelero... Por um breve instante, a vejo à minha frente, com sua longa foice, e seu esqueleto magro escondido sob essa capa preta. Não morrerei hoje. Eu passo! Enquanto meu capô roça o enorme Scania à minha direita, dou uma última olhada no retrovisor: o policial ainda está lá, mas seu olhar mudou. Não havia espaço para dois loucos furiosos entre o caminhão e a barreira. Boa viagem.

 

CAPÍTULO 2 - JANTAR DO DON

O imenso lustre adornado com cristal, as tapeçarias refinadas na parede e as cadeiras rangentes de inspiração Louis XVI. O ambiente é exagerado e a clientela à sua imagem: velhas burguesas enrugadas com brincos grandes demais e cabelos muito engomados. Quanto à nossa mesa, ela se destaca um pouco. Alguns têm os pés na mesa, outros enrolam baseados. Garrafa de champanhe de cinco notas no balde, pequeno Châteauneuf-du-Pape 2006, estamos no auge. Um verdadeiro clipe do SCH. É minha primeira vez em um grande restaurante. Me sinto um mafioso, com meus grandes gestos e minha boca grande. O cara na minha frente já viu de tudo, o tráfico, a prisão e provavelmente pior, mas acabei de mostrar a ele que por trás da minha aparência de skatista inocente, eu podia trazer sem problemas meia tonelada de pólen cuidadosamente peneirado das montanhas do Rif. Então ele ignora minhas palhaçadas de bêbado. Quando levanto a pesada campânula de bronze que cobre meu segundo prato, aparece uma 9mm. Parece uma relíquia saída dos subterrâneos de Sarajevo. É meu presente. Ontem um simples fracassado com relações duvidosas, hoje um jovem novato no grande banditismo. Em uma ida e volta ao Marrocos, mudei de status. Agora, preciso me recolher.